terça-feira, 24 de março de 2015

Contexto de Luta - Greves

Foram as greves que acabaram com as infames jornadas  de 14 horas de trabalho. No Brasil, a grande greve de 1917 conquistou o direito de organização dos trabalhadores, a implantação do salário fixo, já que na maioria dos lugares só se trabalhava pela comida e moradia e a proibição do trabalho noturno de crianças e mulheres grávidas.
E quanto à democracia? Em muitos países foram também greves que instituíram a democracia. Uma greve de tecelões exigiu e conseguiu o voto secreto e universal na Bélgica em 1893, daí se entendendo a outros países europeus. E foi o movimento sindical inglês, que estruturou a modelar  democracia britânica, com a famosa carta de seis pontos de 1838, que instituía o voto secreto e universal, distritos eleitorais justos, e o pagamento de salários para que os trabalhadores também pudessem exercer mandatos. E nem é preciso ir tão longe ou recuar tanto no tempo: foram as greves de 1978 a 1980 que também contribuíram para derrubar a ditadura militar.
Sangue foi derramado em greves. É preciso lembrar que até os sindicatos se tornaram organizações de massa, lá pelos anos 20, greves e reuniões de trabalhadores eram reprimidas com violências. E mais, sempre que se busca suprimir direitos políticos e sociais, é preciso primeiro derrotar sindicatos. No Brasil, os golpistas de 1964 decretaram intervenção em 90% dos sindicatos e baixaram a lei de Segurança Nacional proibindo greves.
Para instaurar o Neoliberalismo na Inglaterra, a senhora Thatcher partiu por cima dos trabalhadores ferroviários mais tradicionais do movimento trabalhista inglês. Só depois disso conseguiu privatizar a siderurgia britânica, a indústria naval e as ferrovias.
As greves, portanto deveriam ter na cabeça das pessoas a mesma imagem gloriosa das lutas de libertação nacional. Mas não tem. Quase nada se sabe sobre elas, a não ser que são prejudiciais. Mas a greve é quase sempre uma ação coletiva de fôlego curto que exige unidade de todos os trabalhadores daquela empresa, para obter rapidamente a vitória.
Assim se formam lacunas na imagem das greves. E se o patrão é o Estado, e os usuários são outros trabalhadores, como é o caso das greves de ônibus ou de metrô, ou de professores, a sua imagem é mais facilmente desgastada pela mídia. O pior acontece no longo prazo: a mídia conservadora e os grandes grupos que controlam a produção do conhecimento e da cultura conseguem passar a borracha nos trabalhadores como protagonistas da história.
No contexto educacional não tem sido bem diferente, as nossas conquistas foram e serão obtidas com muito sacrifício e muita luta. Sendo assim, precisamos ter conhecimento que no processo democrático sempre haverá divergências ideológicas, faz parte do processo histórico. É o debate que impulsiona o jogo democrático – como é sabido, principalmente, pelos professores de História. Contudo, as nossas divergências não devem ser confundidas com questões de ordem pessoal, elas acontecem no campo das ideias. Mas, em alguns momentos, as divergências ideológicas são deixadas de lado em nome de um bem maior: a da unificação e da luta coletiva para melhorar as condições da Escola Pública que atende principalmente aos nossos filhos e aos filhos das classes populares.
O voto aos 16 anos  também foi uma conquista resultante  da luta do movimento estudantil, incorporada à Constituição de 1988. Entre o fim da década de 1980 e o início da seguinte, estudantes e jovens, de um modo geral, demonstravam interesse na vida política nacional e desejo de se manifestar, por meio do voto, sobre os rumos do país. No entanto, essa vontade de participar tem diminuído. No início do ano de 2000  havia 3,6 milhões de eleitores de 16 e 17 anos no Brasil. Em 2008 o número chegou a 2,9 milhões, redução de 19%. Se números assim permitem constatar o desinteresse do jovem no exercício de um direito seu, é o caso de perguntar as razões desse fato. Por que os jovens parecem ter perdido o interesse pela política? O que explica, na sua opinião, o crescente número de jovens que não faz questão de tirar o título de eleitor e de votar?

            Lamentavelmente, percebemos que há um esgotamento da representação democrática, vivemos uma crise política e partidária gravíssima, por isso que se fala tanto em refundação de partidos.  Aliados a isso, o nosso sistema de ensino também nos fornece pistas importantes: A precariedade da maioria das escolas públicas  que não dispõe de laboratórios, bibliotecas e espaços de leitura, um  currículo ultrapassado e desmotivador. Não há autonomia para professores e menos ainda para os alunos, sendo assim, não dá para pensar em alunos participativos e com sólida formação crítica.  Portanto, esse modelo de educação  no Estado de São Paulo é o  que prepara a  futura mão de obra dócil que nada reivindicará nas empresas.
            Além do mais, o currículo escolar do Estado visa escolas planejadas a semelhança das linhas de montagem: as crianças e jovens, segundo essa lógica, são “objetos” a serem “formados” segundo normas que lhe são exteriores. Ao final formada, são objetos portadores de saberes, centenas, milhares, todos iguais. A educação desse estado atende à lógica de mercado.  A estrutura sedimentada nas escolas também mantém  grupos de gestores que representam  o braço armado da repressão para intimidar os professores.
Mas para aqueles que ainda não acreditam que podemos mudar o curso da história é sempre interessante lembrar que somos sujeitos dessa mesma história e podemos influenciar com ações esse percurso. Sendo assim, o nosso papel como historiadores, militantes políticos, sindicais e cidadãos, é rememorar o passado de conquistas das gerações que nos precederam, sobretudo, quando se trata de direitos adquiridos.

Porém, cabe à categoria no seu conjunto, tomar uma posição:  ou se cala diante dos desmandos do governo e espera uma redenção que certamente não cairá dos céus, ou se coloca em prontidão para a luta nas ruas, reconstruindo sua força de classe.

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