Foram as greves que acabaram com as
infames jornadas de 14 horas de
trabalho. No Brasil, a grande greve de 1917 conquistou o direito de organização
dos trabalhadores, a implantação do salário fixo, já que na maioria dos lugares
só se trabalhava pela comida e moradia e a proibição do trabalho noturno de
crianças e mulheres grávidas.
E quanto à democracia? Em muitos
países foram também greves que instituíram a democracia. Uma greve de tecelões
exigiu e conseguiu o voto secreto e universal na Bélgica em 1893, daí se
entendendo a outros países europeus. E foi o movimento sindical inglês, que
estruturou a modelar democracia
britânica, com a famosa carta de seis pontos de 1838, que instituía o voto secreto
e universal, distritos eleitorais justos, e o pagamento de salários para que os
trabalhadores também pudessem exercer mandatos. E nem é preciso ir tão longe ou
recuar tanto no tempo: foram as greves de 1978 a 1980 que também contribuíram
para derrubar a ditadura militar.
Sangue foi derramado em greves. É
preciso lembrar que até os sindicatos se tornaram organizações de massa, lá
pelos anos 20, greves e reuniões de trabalhadores eram reprimidas com
violências. E mais, sempre que se busca suprimir direitos políticos e sociais,
é preciso primeiro derrotar sindicatos. No Brasil, os golpistas de 1964
decretaram intervenção em 90% dos sindicatos e baixaram a lei de Segurança
Nacional proibindo greves.
Para instaurar o Neoliberalismo na
Inglaterra, a senhora Thatcher partiu por cima dos trabalhadores ferroviários
mais tradicionais do movimento trabalhista inglês. Só depois disso conseguiu
privatizar a siderurgia britânica, a indústria naval e as ferrovias.
As greves, portanto deveriam ter na
cabeça das pessoas a mesma imagem gloriosa das lutas de libertação nacional.
Mas não tem. Quase nada se sabe sobre elas, a não ser que são prejudiciais. Mas
a greve é quase sempre uma ação coletiva de fôlego curto que exige unidade de
todos os trabalhadores daquela empresa, para obter rapidamente a vitória.
Assim se formam lacunas na imagem das
greves. E se o patrão é o Estado, e os usuários são outros trabalhadores, como
é o caso das greves de ônibus ou de metrô, ou de professores, a sua imagem é
mais facilmente desgastada pela mídia. O pior acontece no longo prazo: a mídia
conservadora e os grandes grupos que controlam a produção do conhecimento e da
cultura conseguem passar a borracha nos trabalhadores como protagonistas da
história.
No contexto educacional não tem sido
bem diferente, as nossas conquistas foram e serão obtidas com muito sacrifício
e muita luta. Sendo assim, precisamos ter conhecimento que no processo
democrático sempre haverá divergências ideológicas, faz parte do processo
histórico. É o debate que impulsiona o jogo democrático – como é sabido,
principalmente, pelos professores de História. Contudo, as nossas divergências
não devem ser confundidas com questões de ordem pessoal, elas acontecem no
campo das ideias. Mas, em alguns momentos, as divergências ideológicas são
deixadas de lado em nome de um bem maior: a da unificação e da luta coletiva
para melhorar as condições da Escola Pública que atende principalmente aos
nossos filhos e aos filhos das classes populares.
O voto aos 16 anos também foi uma conquista resultante da luta do movimento estudantil, incorporada
à Constituição de 1988. Entre o fim da década de 1980 e o início da seguinte,
estudantes e jovens, de um modo geral, demonstravam interesse na vida política
nacional e desejo de se manifestar, por meio do voto, sobre os rumos do país.
No entanto, essa vontade de participar tem diminuído. No início do ano de 2000 havia 3,6 milhões de eleitores de 16 e 17 anos
no Brasil. Em 2008 o número chegou a 2,9 milhões, redução de 19%. Se números
assim permitem constatar o desinteresse do jovem no exercício de um direito
seu, é o caso de perguntar as razões desse fato. Por que os jovens parecem ter
perdido o interesse pela política? O que explica, na sua opinião, o crescente
número de jovens que não faz questão de tirar o título de eleitor e de votar?
Lamentavelmente, percebemos que há um
esgotamento da representação democrática, vivemos uma crise política e
partidária gravíssima, por isso que se fala tanto em refundação de partidos. Aliados a isso, o nosso sistema de ensino
também nos fornece pistas importantes: A precariedade da maioria das escolas
públicas que não dispõe de laboratórios,
bibliotecas e espaços de leitura, um currículo ultrapassado e desmotivador. Não há
autonomia para professores e menos ainda para os alunos, sendo assim, não dá
para pensar em alunos participativos e com sólida formação crítica. Portanto, esse modelo de educação no Estado de São Paulo é o que prepara a futura mão de obra dócil que nada reivindicará
nas empresas.
Além do
mais, o currículo escolar do Estado visa escolas planejadas a semelhança das
linhas de montagem: as crianças e jovens, segundo essa lógica, são “objetos” a
serem “formados” segundo normas que lhe são exteriores. Ao final formada, são
objetos portadores de saberes, centenas, milhares, todos iguais. A educação
desse estado atende à lógica de mercado. A estrutura
sedimentada nas escolas também mantém grupos de gestores que representam o braço armado da repressão para intimidar os
professores.
Mas para aqueles que ainda não
acreditam que podemos mudar o curso da história é sempre interessante lembrar
que somos sujeitos dessa mesma história e podemos influenciar com ações esse
percurso. Sendo assim, o nosso papel como historiadores, militantes políticos,
sindicais e cidadãos, é rememorar o passado de conquistas das gerações que nos
precederam, sobretudo, quando se trata de direitos adquiridos.
Porém, cabe à categoria no seu
conjunto, tomar uma posição: ou se cala
diante dos desmandos do governo e espera uma redenção que certamente não cairá
dos céus, ou se coloca em prontidão para a luta nas ruas, reconstruindo sua
força de classe.
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